04/10/2017

Intercâmbio aos 30 e poucos anos… sim, é possível


Eu poderia estar casada, com filhos, trabalhando em uma multinacional, esperando ansiosamente pelas próximas férias, pensando no que cozinhar para o jantar enquanto estou presa no trânsito caótico de São Paulo, mas não, eu resolvi fazer um intercâmbio aos 31 anos.
Uns me chamam de corajosa, outros dá pra perceber que me acham louca, não os recrimino e tão pouco me importo com a opinião, afinal de contas, ir contra tudo o que a sociedade te impõe nem sempre é fácil e largar a sua zona de conforto para se aventurar pelo desconhecido, também não.
A verdade é que nem tudo é tão lindo como as fotos do Instagram mostram, não é nada fácil largar nossa casa, nosso salário certinho todo mês, carro, cachorro, as coisas que juntamos ao longo da vida, as pessoas que amamos, nossa língua nativa e a comida que estamos acostumados.
A minha vida de intercambista não tem glamour, não tem papai mandando grana, mas tem pés cansados de tanto andar, unhas roídas, moedinhas sendo contadas, tem lágrimas, casaco molhado de tanta chuva e suor mesmo em dias frios. Se jogar no mundo do intercâmbio, seja com 18, 25, 31 ou 40 e poucos anos é lidar com a vida te colocando o tempo todo à prova, provas que nem sempre são fáceis e flexíveis e é preciso ter muita certeza do que se quer, para não pegar o primeiro avião de volta para a nossa pátria amada.
Eu sempre me culpei por não ter vindo antes, e desta vez me dei o ultimato de que era agora ou nunca mais. Eu não tinha noção do quanto respeitar o próprio timing era importante. Agora estando aqui, sei que vim no melhor momento e que não existe regra para tentar. Sei exatamente o que quero, e embora o visto de estudante não te ofereça muitas possibilidades, eu vim com o coração aberto, aceitando viver as oportunidades que a vida me apresentar.

Sou jornalista e formada em propaganda e marketing, mas estou correndo atrás de um emprego como waitressminder, floor staff... E quando rolar eu sei que vou comemorar feito final de campeonato com o meu time campeão. Para onde toda essa experiência vai me levar? Eu não sei. Se eu mudar de ideia amanhã tudo bem também, eu não sou mesmo a mesma todos os dias.
Mas, por enquanto sigo comemorando cada pequena vitória. Não se perder pelas ruas tão parecidas, conseguir ajudar alguém com alguma informação, comprar uma bicicleta, entender aquele sotaque mais carregado, reconhecer os caminhos pelos quais já passei, ir bem naquela prova, voltar do supermercado com as sacolas cheias com apenas 15 euros ou conseguir uma entrevista de emprego. E comemorar, comemorar tomando uma pint, conhecendo um novo parque, fazendo novos amigos, experimentando uma nova comida, tirando alguns minutos para apreciar o cantor de rua ou comprando um objeto de decoração para o novo cantinho.
Dias ruins sempre passam e coisas melhores vêm. Você nunca saberá que oportunidade pode encontrar se não tiver coragem de dar o primeiro passo. Ir embora não é fácil, nem nunca vai ser, mas do outro lado de um oceano pode existir uma vida maravilhosa esperando por você… navegue!

Texto de março de 2017, publicado no site: Trilhas e Aventuras